Organizações com propósito evolutivo – O futuro das corporações?

“Você não muda as coisas lutando contra a realidade atual. Para mudar algo é preciso construir um modelo novo que tornará o modelo atual obsoleto.”
Richard Buckminster Fuller

Frederic Laloux abre o seu livro “Reinventing Organizations” com a frase acima,  neste livro Frederic apresenta um novo modelo de organização, baseado na evolução da consciencia humana, ele descreve como as corporações tem evoluído  através dos tempos e quais as principais inovações de organizações que estão rompendo com os modelos pré-estabelecidos para um modelo centrado nas pessoas, onde a confiança, autonomia, e a plenitude de cada individuo são não somente os valores base, mas a principal meta a ser atingida.
Existem diversos nomes para definir estas novas organizações:  Organizações Autenticas, Organizações Impulsionadas pela Sabedoria,  Organizações Vivas, Organizações com propósito, Negócios Conscientes e Teal que é a nomenclatura utilizada por Frederic Laloux baseada na teoria integral.

A humanidade sem dúvida atingiu um grande progresso nos últimos séculos, tendo obtido um grande salto tecnológico nos últimos anos que transformou o mundo, o que não seria possível sem as grandes organizações.  Porém em todas as pesquisas realizadas sobre a satisfação no trabalho em todos os lugares do mundo, o trabalho é visto como algo penoso, infeliz, contrário à vida pessoal, não alinhado com propósitos maiores, desconectado das necessidades reais do planeta, etc…

Atualmente ainda temos boa parte das organizações presas a um modelo industrial pós moderno,  onde o ser humano se torna um mero recurso que deve ser otimizado para obter a máxima produtividade,  Algumas empresas  até flexibilizam um pouco a estrutura, porém sua avidez por lucro incessante, redução de custos e necessidade de crescimento constante, baseado não em suas reais necessidades ou de seus clientes, mas em números ditados pelo “mercado” que na maioria das vezes não tem conexão com a realidade, desconecta as pessoas e o trabalho que fazem, de si mesmos, de sua alma e da sociedade em que vivem.
Vivemos em um mundo de fantasia, onde vencer a concorrencia e vender cada vez mais, pouco produz para a sociedade e a evolução humana.
Algumas empresas até tem em seus estatutos algumas práticas de responsabilidade social e com o meio ambiente, mas quando há algum conflito entre estas práticas com o lucro e a produtividade as mesmas são ignoradas.

A pergunta que Frederic e diversos grupos de trabalho estão tentando responder é:

Poderíamos inventar uma maneira mais poderosa, mais plena, mais elevada, mais consciente  e mais significativo para trabalhar em conjunto?

A resposta é sim, diversas corporações dos mais variados setores no mundo já estão trabalhando através de um novo modelo, onde as organizações atuam como um grande organismo, um grande ecossistema  em que cada célula (time)  naturalmente busca seu crescimento e evolução, movendo o todo em direção a mais plenitude, mais consciencia, mais crescimento.
Estas corporações romperam com velhos paradigmas e tem provado que é possível obter sucesso, atender aos clientes, crescer de uma forma mais consciente, mais humana, dando autonomia para que as pessoas em todos os níveis decidam a melhor forma de fazer o seu trabalho.
Cada uma destas empresas segue seu próprio modelo baseado em seu negócio e sua comunidades, porém em todas elas algumas características são comuns.
Cada um destes avanços se manifesta através de uma série de práticas concretas do dia-a-dia que, às vezes partem sutilmente, às vezes radicalmente de métodos de gestão tradicionalmente aceitos.

Principais Características  das Organizações – Teal

• Auto-gestão:  Esta parece ser a grande chave para que o modelo funcione eficientemente mesmo em larga escala, com um sistema baseado não em hieararquia mas na relação entre pares. Os diversos times se conectam em rede. As tomadas de decisões são totalmente descentralizadas, cada time tem autonomia, para tomar as decisões importantes. As novas idéias podem ser levadas adiante sem a aprovação de superiores ou necessidade de consenso. Em algumas das empresas as pessoas e times definem até os seus próprios salários e metas.

• Plenitude: As organizações tradicionais sempre foram lugares que encorajam
as pessoas a mostrar estritamente o seu lado profissional e deixar todo o resto do seu ser na porta da empresa .  Elas muitas vezes obrigam as pessoas a demonstrar determinação e força, e esconder as dúvidas e vulnerabilidade.  A racionalidade é a regra máxima enquanto a parte intuitiva, espiritual e emocional é indesejável.
As organizações Teal desenvolveram um conjunto coerente de práticas que nos convidam a recuperar a nossa integridade interior, existe espaço e incentivo para que as pessoas demonstrem a totalidade do seu ser. As conexões profundas são valorizadas. A intuição é vista como grande aliada da criatividade e das decisões. Diversas práticas espirituais como meditação são incorporadas aos processos.

•Propósito Evolutivo: As organizações Teal são vistos como tendo uma vida
e um senso de direção própria. Em vez de seguir regras do mercado,  tentar prever e controlar o futuro, os membros da organização são convidados a ouvir e entender o que a organização quer se tornar, que finalidade ele quer servir.  Como um grande organismo, cada parte é envolvida neste propósito , existe um alinhamento com o propósito individual de cada pessoa. Durante as entrevistas para contratar novos funcionários, os propósitos e valores são debatidos, e é um dos principais fatores que o candidato deve ter em comum com a empresa. Os indicadores de sucesso das organizações, não se baseiam em meros números, mais no avanço em direção a este propósito

Evolução Histórica das Organizações

O quadro a seguir utiliza o modelo Integral de desenvolvimento para mostrar como as organizações tem evoluido através da história, assim como os humanos, as organizações também apresentam  diferentes níveis de consciencia, sempre proporcionando maior abertura, mais flexibilidade e autonomia em cada salto:

  • Nivel Vermelho (Impulsivo)
    • Características:
      • Constante exercício do poder pelo chefe para manter os subordinados na linha
      • O medo é o que mantém a organização
      • Altamente reativa, foco no curto prazo
      • Prospera em ambientes caóticos
    • Estilo de liderança:
      • Predatório
    • Principais inovações:
      • Autoridade de comando
      • Divisão do trabalho
    • Exemplos:
      • Máfias
      • Gangues de rua
      • Milícias Tribais
  • Nivel Ambar (Conformista)
    • Características:
      • Papéis altamente formais
      • Pirâmide Hierárquica
      • Comando e controle “Top Down” (define o que fazer e como fazer)
      • Valorização da estabilidade acima de tudo através de processos rigorosos
      • O futuro é a repetição do passado
    • Estilo de liderança:
      • Paternal – Autoritário
    • Principais inovações:
      • Formalização dos papéis (hieraquização)
      • Processos (visão de longo prazo)
    • Exemplos:
      • Igreja católica
      • Exército
      • Agências governamentais
      • Escolas públicas
      • Indústrias
  • Nivel Laranja (Vencedor)
    • Características:
      • O objetivo é bater a concorrência, alcançar o lucro e crescimento
      • Inovação é a chave para se manter a frente
      • Gerenciamento dos objetivos (o que deve ser alcançado, liberdade em como fazer)
    • Estilo de liderança:
      • Orientado a objetivos a serem atingidos e tarefas
      • Decisivo
    • Principais Inovações:
      • Responsabilidade
      • Meritocracia
      • Inovação
    • Exemplos:
      • Empresas Multinacionais
  • Nivel Verde (Pluralista)
    • Características:
      • Ainda utiliza estrutura piramidal porém busca foco no cultura flexível  e empoderamento para atingir altos níveis de motivação
    • Estilo de Liderança:
      • Orientado ao consenso
      • Participativa
      • Busca servir
    • Principais Inovações:
      • Empoderamento
      • Cultura baseada em valores
      • Modelo participativo
    • Exemplos:
      • Organizações orientadas a cultura organizacional (Southwest Airlines, Ben&Jerry´s…)
  • Nivel Teal (Evolucionário)
    • Características:
      • Estrutura piramidal é substituida por células auto-gerenciáveis
      • A organização é vista como um organismo vivo, com seu próprio potencial criativo e propósito evolucionário
    • Estilo de Liderança:
      • Liderança distribuída
      • Retidão interior e propósito como principal motivador e critério de decisão
    • Principais Inovações:
      • Totalidade e Plenitude
      • Auto-Gerenciamento
      • Propósito evolutivo
    • Exemplos:
      • (FAVI, Buurtzorg , Patagonia)

Este é um tema extenso, o que é animador é que cada vez mais CEOS, mais empresas vem buscando a mudança, temos diversos grupos no mundo, trabalhando na implementação de práticas, protótipos, definição de constituições  para empresas centradas nas pessoas.
A evolução é inevitável e chegou a hora de termos a coragem de dar os primeiros passos.

Fabio Cunha

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Comparação, um dos ladrões da alegria

“A comparação é o ladrão da alegria” – Theodore Roosevelt

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Desde que adquirimos consciência de nossa individualidade, que existe um eu e o outro, começamos a nos comparar com outras pessoas.

Quando crianças nos comparamos (e somos comparados) com  os irmãos, com outros alunos, comparamos nossas notas, nosso desempenho no esporte, nas brincadeiras, os nossos brinquedos. Com o passar do tempo, vamos adicionando novos itens para comparação e passamos a comparar a nossa popularidade com o sexo oposto, nossos corpos com ideais, comparamos nosso sucesso com o dos nossos colegas de trabalho, vizinhos, amigos, comparamos o quanto ganham, o tamanho da casa, o carro que tem, as viagens que fizeram, os cursos e formações, mães se comparam com outras mães, comparam seus filhos com outros filhos, etc.
Não existe limite de itens para a comparação, quando não há pessoas para se comparar nos comparamos com ideais, com fantasias daquilo que achamos que deveríamos ser: o marido ideal, a mãe ideal, o profissional ideal, o amigo ideal, o buscador espiritual ideal.

Esta comparação ao invés de servir como inspiração para buscar melhorar, na maior parte do tempo só gera frustração, um estado de angústia constante por não estar no mesmo nível que os outros.

Quando nos comparamos com o outro, perdemos a consciência do que somos e do que temos, começamos a desejar ter aquilo que acreditamos que o outro tem ou aquilo que ele é, e nós não temos.
Isto vira uma compulsão, que nos impede de ter uma mente equilibrada, centrada em nós mesmos e em nossos objetivos, passamos a investir em uma idealização daquilo que deveríamos ser para ficar bem na foto, para sermos bem sucedidos, bons filhos, bons pais, bons maridos, bons profissionais. Medimos o nosso sucesso com a régua dos outros e portanto, nunca atingimos a paz, ficamos presos neste labirinto.

A tendencia à comparação é quase natural ao ser humano um hábito que aprendemos muito cedo e está muito arraigado em cada um de nós., porém tem várias armadilhas:

  • A comparação é sempre injusta: Comparamos o nosso pior com o melhor dos outros.
  • Comparamos não com fatos em relação aos outros, mas aquilo que presumimos que eles tem.
  • A comparação exige uma métrica, um padrão para defnir o que é melhor ou pior:  nem tudo pode ser contado ou medido. Acabamos qualificando e julgando coisas que não podem ser colocadas em uma balança.
  • Cada ser humano é original. Cada um tem dons, talentos e valores únicos, exclusivos para seu propósito neste mundo. Cada ser humano tem uma história diferente.
  • Você não tem nada a ganhar com a comparação, mas muito a perder. Por exemplo: o seu orgulho, auto-estima, sua paixão, sua gratidão.
  • Comparações muitas vezes resultam em ressentimento. O ressentimento com os outros e com nós mesmos.

O hábito da comparação nunca poderá ser superado pelo sucesso, pois outro item ou outra definição de sucesso surge. Sempre haverá algo ou alguém para concentrar sua atenção  e a comparação coloca o foco na pessoa errada.
Você pode controlar somente sua vida. Mas quando estamos constantemente nos comparando aos outros, desperdiçamos nossa energia com foco na vida de outras pessoas.

Como parar de comparar-se aos outros

  • Tome consciência de sua inutilidade e dos efeitos nocivos em sua vida
  • Reconheça seus próprios sucessos.
    Você tem uma perspectiva e experiência únicas e originais. Você tem tudo o que precisa para realizar a sua parte no mundo. Encontre a inspiração nos seus próprios sucessos e a partir deles busque motivação para alcançar mais.
  • Cultive a gratidão por aquilo que você já tem e conquistou.
  • Mude a sua definição de sucesso. Os maiores tesouros do mundo como o amor, a amizade, a humildade, a empatia, generosidade,  família, beleza, alegria e paz interior não são mensuráveis.
  • Menos competição, mais colaboração. Quanto mais cedo pararmos de competir com os outros para sempre ganhar, poderemos começar a trabalhar juntos e reconhecer a beleza da indiviudalidade de cada pessoa que complementa um ao outro.
  • Lembre-se sempre, ninguém é perfeito. Para alcançar o sucesso sempre existem obstáculos a serem superados, cada um tem a sua própria batalha.

Encontre a inspiração sem comparação. 
Comparar a nossa vida com outros é inútil, mas podemos encontrar inspiração,  exemplos e aprender com os outros e isto é sabedoria. Busque compreender a diferença.
Ler biografias, conhecer a história , trocar experiências e humildemente fazer perguntas às pessoas que admiramos pode servir como inspiração para construirmos o nosso próprio caminho para o sucesso.

Se você ainda precisa comparar, compare-se com você mesmo.
Devemos esforçar-nos para ser as melhores possíveis versões de nós mesmos, para nós e para o mundo.
Comprometa-se a crescer sempre um pouco a cada dia e lembre-se de sempre celebrar os pequenos avanços que você tem conquistado.